sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mortes no trânsito - crime doloso ou culposo?

Artigo publicado no site do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul - www.mp.rs.gov.br/imprensa/clipping

Motoristas que causam acidentes e mortes de pessoas devem responder por homicídio doloso.
Ainda hoje me lembro das aulas de Direito Penal 1 e 2, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Santa Maria, em que o professor Luiz Felipe Lenz, promotor de Justiça, ensinava que o réu se defende dos fatos contra ele imputados.
Temos visto uma série rotineira de acidentes de trânsito, normalmente com um grande índice de mortes, muitas delas decorrentes de uso excessivo de bebida alcoólica, excesso de velocidade e ultrapassagens de risco, por vezes em locais proibidos, quando não agregados todos esses elementos em uma só conduta.
Estamos assistindo de camarote a nossos filhos, filhos de amigos, pessoas voltando de férias ou visitando parentes morrerem graciosamente em decorrência do agir de algum motorista se conduzindo da forma acima referida.
Geralmente, o enquadramento que é dado no Inquérito Policial é de crime culposo no trânsito, narrando que o motorista agiu com negligência, imprudência ou imperícia, sendo previsto uma pena de um a três anos de detenção, determinando, com toda certeza, que o agente criminoso venha se defender desta narrativa, e, vindo a ser condenado, certamente não vá cumprir a pena restritiva de liberdade, mas sim uma pena restritiva de direitos, como prestação de serviços à comunidade ou perda do direito de dirigir.
Tais elementos contribuem, e muito, para o senso de impunidade na sociedade, desenvolvendo um clima aterrorizante de agravamento do crime ou de criação de um novo tipo penal e alterações na legislação.
Com a devida vênia e respeito aos que pensam nesse sentido, não se pode esperar de um operador do Direito uma interpretação nesse sentido, em existindo no Código Penal Brasileiro o homicídio doloso por ocorrência de dolo eventual, ou seja, quando nas circunstâncias de tempo, lugar e condições do motorista pode-se afirmar com certeza e convicção que este cidadão, ao se conduzir em descumprimento aos mais comezinhos cuidados no trânsito, sob efeito de álcool, em velocidade excessiva, fazendo ultrapassagens arriscadas e muitas vezes em locais proibidos, assumiu o risco de causar a morte de uma terceira pessoa, devendo responder por homicídio doloso, por dolo eventual, com uma pena de seis a 20 anos (simples) ou de 12 a 30 (qualificado)!
Há inúmeros instrumentos que podem determinar que a imputação inicial já possa ser de homicídio doloso, por descrição do policial que atendeu a ocorrência e, mesmo sem laudo de laboratório, descreva a conduta do motorista que deu origem ao acidente, porque essa descrição hoje é prova de embriaguez no volante, pelas circunstâncias em que o veículo foi encontrado, se havia sinais de bebida no local, qual a velocidade empreendida, se invadiu a pista contrária, se estava ultrapassando indevidamente ou em local proibido.
T rata-se de uma mudança de cultura da própria sociedade, porque é comum, e muito comum, quando há denúncia por homicídio doloso contra alguém que mata um semelhante em acidente de trânsito, no julgamento pelo Tribunal do Júri, os jurados, representantes da sociedade, Juízes de Fato, aceitam a tese defensiva de desclassificação, afirmando que o motorista "não teve a intenção de matar" e se chega a uma condenação por homicídio culposo. Por quê? Porque no indiciamento já vem uma descrição no sentido de que ele agiu com culpa, ou seja, negligência, imprudência ou imperícia, vindo a investigação a ser direcionada nesse sentido.
Reconheça-se a falta de preparo da polícia judiciária nesse sentido. Mas isso também pode mudar na formação dos policiais e com cursos de atualização. Certamente o Inquérito Policial chegaria em melhores condições de o Ministério Público defender a denúncia por homicídio doloso.
Assim, por educação, bom senso, mudança de cultura e juízo de preservação da vida, visando prevenir, criar um sentimento de temor nos motoristas que se conduzem sob efeito de álcool, drogas ou medicamentos junto com álcool ou drogas, ou que conduz seu veículo em alta velocidade, costurando nas estradas, ultrapassando no limite do possível e às vezes em locais indevidos, colocando em risco a vida de terceiros antes da própria vida dele, deve se entender esta conduta como "dolo eventual", levando ao homicídio doloso, porque àquele que pratica direção nestas condições não há como não entender que tal motorista não assumiu o risco de causar a morte de um semelhante e não pretendida matar ninguém.
Devemos entender o homicídio culposo como exceção à regra, em situação em que o acidente de trânsito seja mesmo um mero acidente, e não uma ação irresponsável de fazer uso da direção sob efeito de álcool ou drogas, em alta velocidade, costurando nas estradas, ultrapassando de forma arriscada e mesmo em locais impróprios, levando ao reconhecimento de crime doloso contra a vida.
Creio que só assim se possa ter uma luz no fim do túnel para vermos a construção de um final diferente!

Fonte: Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul -
www.mp.rs.gov.br/imprensa/clipping



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Projeto ministra palestras na PTS Transportes

A PTS Transportes preocupada com a integridade física de seus colaboradores e familiares que na condição de pedestre ou motorista enfrentam diariamente a batalha do trânsito, convidou o Projeto Sobrevivência no Trânsito para ministrar palestra com a finalidade de demonstrar "porque" e "como" ocorrem os acidentes de trânsito, bem como "o que" fazer para evitá-los.
Nossos sinceros agradecimentos à Sra. Sandra Regina Bueno - Gestão de Pessoal - e aos colaboradores da PTS Transportes pela participação nas paletras de 17 e 24/out/09 e doação de alimentos que já foram entregues à Instituição Espírita Seara Bendita.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

CETESB - XXXII SIPAT

O Projeto Sobrevivência no Trânsito agradece aos colaboradores da CETESB pelo interesse, participação e doação de alimentos durante a palestra intitulada "Sobrevivência no Trânsito: Uma questão de atitude" apresentada na XXXII SIPAT realizada de 26 a 30 de outubro de 2009.
Na ocasião o Projeto Sobrevivência no Trânsito foi convidado a conhecer o CADEQ - Centro de Controle de Desatres e Emergências Químicas da CETESB que atende ocorrências envolvendo transporte rodoviário, ferroviário e marítimo, indústrias, postos e sistemas retalhistas de combustíveis entre outras fontes.
Formado por profissionais especializados e viaturas dotadas de EPI's, equipamentos para contenção de vazamentos, aparelhos para detecção de gases, vapores tóxicos e inflamáveis, além de uma infinidade de outros recursos, o CADEQ está preparado para receber e gerenciar informações durante as emergências químicas, apoiar outros órgãos (Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Rodoviária, Setor de Saúde e outros) e prestar esclarecimentos à comunidade. Funciona 24 horas todos os dias da semana e desde janeiro de 1978 até dezembro de 2008 já registrou 7.605 casos. O CADEQ pode ser acionado pelos telefones 0800113560 ou (11)31334000. Conheça detalhes em www.cetesb.sp.gov.br/emergencia/emergencia.asp .
Nossos sinceros e especiais agradecimentos ao Sr. Mário Albanese - Presidente da CIPA CETESB.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cuidado! Veículo "zanzando" na pista!

De repente o veículo que vai a sua frente começa a “zanzar” na pista. Você vai tentar ultrapassá-lo e lá vem ele pra cima. Você freia aumenta a distância e se prepara para uma nova tentativa. Quando inicia a ultrapassagem, lá vem ele novamente. Aí você se conscientiza de que é melhor ficar longe do que tentar ultrapassá-lo. Afinal, este motorista está colocando em risco não somente a vida dele, mas também a sua e de outros que estejam próximos. “Zanzando” deste jeito e assustando a todos, ele pode causar um acidente sem ao menos perceber ou sequer se envolver.
O que será que está acontecendo com quem está dirigindo este veículo? Olha isso!!! Quase derrubou o motociclista!!! Será que está bêbado? Ou passando mal? Nem ao menos escuta as buzinas de alerta dos demais motoristas!!
Na tentativa de saber o que está havendo, você começa a prestar mais atenção no que se passa no interior do veículo e apesar da visão comprometida pelos vidros escuros, percebe que o motorista está um tanto quanto inquieto e gesticulando a todo instante como se tivesse deixado cair uma brasa de cigarro no colo ou tentando se livrar de alguma abelha intrometida. Hummmm!! O motorista deve estar discutindo com alguém sentado ao lado ou no banco traseiro. Reparando melhor você percebe que não tem nenhum passageiro no carro e que o motorista está sozinho!!! Então, o que é que está acontecendo?!
Finalmente você consegue ficar ao lado dele quando o semáforo fica vermelho. Chega até a ouvir os berros e palavrões proferidos pelo motorista. Arrisca um olhar e percebe o que está havendo. Ele está esbravejando ao celular!!
Você sabia que estudos da ABRAMET – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego apontam como sendo dois os fatores que interferem na atenção do motorista que dirige falando ao celular?
- Os Operacionais que são aqueles relacionados com o manuseio do telefone (procurar e pegar o celular, discar ou olhar o número que chamou, prender o celular com a cabeça e o ombro, e outros).
- Os Não Operacionais que dividem-se em Psicológico (como o nosso “kamikase” do texto acima, onde o motorista se envolve emocionalmente com a “conversa”) e Cognitivo (resultante das alterações da atenção causadas pela simples tarefa de elaboração e compreensão de frases juntamente com o ato de dirigir um veículo).
Lembre-se: Nunca dirija falando ao celular! Se o aparelho tocar ou você tiver que fazer uma ligação, pare o veículo em local seguro. Assim evitará acidentes, multa e perda de pontos na carteira de habilitação.

Luiz Roberto M. C. Cotti
Projeto Sobrevivência no Trânsito
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pontos Cegos

Você já enfrentou uma situação onde olhou pelos espelhos, certificou-se de que não havia nenhum outro veículo e ao mudar de faixa... biibiiiiiiiiiiiiiiiii!! Ouviu uma sonora buzinada? Pois é; embora você tenha tomado os cuidados necessários para fazer uma manobra segura, não enxergou o outro veículo e deu-lhe uma tremenda “fechada”. Isto aconteceu devido à existência dos chamados “pontos cegos” que impedem uma visão ampla e limpa do ambiente ao seu redor.
Na realidade os “pontos cegos” correspondem a verdadeiras “zonas cegas” que dependendo da distância entre o observador e objeto a ser observado, são capazes de ocultar desde pequenos até grandes objetos. Tais “pontos” são originados pelo próprio design e dimensões do veículo. Enquanto as colunas de sustentação do teto são responsáveis pela limitação da visibilidade no sentido horizontal; o comprimento, a largura e a altura respondem pela limitação da visibilidade no sentido vertical.
Os “pontos cegos” podem ser reduzidos, mantendo-se os espelhos retrovisores sempre limpos e utilizando-os de forma correta.
Ajuste o espelho retrovisor interno de maneira a ter uma visão ampla do vidro traseiro e evite colocar objetos sobre a tampa interna traseira para que não atrapalhem a visibilidade.
Ajuste os espelhos retrovisores externos, esquerdo e direto, de maneira que permitam enxergar o limite traseiro do veículo que está dirigindo.
Os ajustes devem ser feitos de forma que o conjunto de espelhos retrovisores permita a maior amplitude de visão possível; porém, sem a necessidade constante de movimentação de cabeça e tronco para visualizar algum objeto. Espelhos retrovisores ajustados corretamente, fazem com que as imagens refletidas sejam mais facilmente percebidas, permitindo a antecipação de ações e o não envolvimento em situações de risco.
A Visão é responsável por 80% das informações que recebemos do ambiente externo e a Audição 10%. Portanto, mantenha também os ouvidos sempre “ligados”. Agindo assim, você poderá, por exemplo, identificar o ruído do motor de outro veículo mesmo sem enxergá-lo. Da mesma forma que uma motocicleta fica facilmente “invisível” ao motorista de um veículo de passeio, este “esconde-se” no ponto cego dos veículos de grande porte.
Lembre-se: mudar de faixa e imprimir marcha à ré, são duas operações de alto risco. Portanto, triplique a atenção ao executá-las.

Luiz Roberto M. C. Cotti
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Cuide bem dos pneus, da segurança e do "bolso"

Cuidar bem dos pneus significa cuidar bem da segurança e do “bolso”.
Da segurança, porque os pneus são os responsáveis por garantir a dirigibilidade do veículo, frenagens e acelerações, estabilidade, manobras emergenciais e absorção dos impactos promovidos pelas irregularidades do piso.
Do “bolso”, porque pneus bem cuidados têm vida útil prolongada e podem representar a diferença entre escapar ou não de um acidente, que caso ocorra, obrigará você a arcar com despesas extras. Além disso, cuidar bem dos pneus pode evitar uma tremenda dor de cabeça, pois trafegar com pneus que apresentem sulcos abaixo de 1,6 mm. é infringir a lei e o veículo pode ser apreendido (Resolução 558/80 do CONTRAN).
Um veículo trafegando a 80 Km/h, com motorista em condições normais, em piso seco e utilizando pneus gastos com profundidade de sulcos de 1,6mm, precisa de 36 metros a mais para parar, quando comparado ao mesmo veículo, na mesma situação, porém utilizando pneus novos. Um espaço que certamente fará falta no caso de uma freada brusca ou manobra emergencial para evitar algum acidente.
Embora a longevidade dos pneus dependa de uma infinidade de variáveis: temperatura, velocidade, pressão, tipo de piso, alinhamento e balanceamento, amortecedores e molas, freios e outras, depende muito daquela “peça” que fica entre o encosto do banco e o volante e que influi significativamente não só na vida útil dos pneus como também dos demais componentes do veículo. Essa “peça” é tão importante que se não estiver em condições normais pode inclusive reduzir a vida útil das pessoas!
Dirigir um veículo de maneira agressiva, acelerando e freando bruscamente, fazendo zig-zags e curvas em alta velocidade, reduz em média 50% da vida útil dos pneus; aumenta o consumo de combustível, o desgaste prematuro dos freios e de outros componentes.
Dirigir de maneira displicente, fazendo o estilo “caça-buracos”, subindo nas calçadas, beliscando as guias, passando pelos obstáculos e redutores de velocidade, como se não existissem, causa danos irreparáveis aos pneus, tais como cortes e bolhas, que podem resultar em um estouro imprevisível e de conseqüências trágicas.
Os pneus são os únicos componentes do veículo que estão em contato com o piso. Portanto, acostume-se a verificá-los periodicamente. Consulte o manual do veículo e cumpra as orientações determinadas pelo fabricante. Caso não o tenha, adote o seguinte procedimento:
- Calibre semanalmente os pneus (estepe a cada quinze dias). Aproveite este momento e verifique se eles apresentam desgastes irregulares, bolhas e cortes.
- Verifique alinhamento, balanceamento e faça o rodízio dos pneus a cada 10.000 km.
Cuidar dos pneus com carinho é cuidar da segurança e do “bolso”.

Luiz Roberto M. C. Cotti
Projeto Sobrevivência no Trânsito
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

AAATCHIMMM !!!

Espirros? Nariz escorrendo? Olhos lacrimejando? Dor de cabeça? Então, muito cuidado se você for dirigir! Quer tais sintomas resultem de um resfriado ou processo alérgico, sua capacidade de reagir a situações de risco estará significativamente reduzida, sua visão extremamente prejudicada e sua atenção dispersa, principalmente por causa das constantes assoadas de nariz e cuidados dedicados aos olhos que sequer suportam a luz do dia. Isto, sem se falar na incomoda dor de cabeça!
Você sabia que se estiver dirigindo um veículo a 60 km/h e der um espirro, ato reflexo você pisca os olhos e percorre um espaço de aproximadamente 17 metros às cegas?! Se estivesse a 90 km/h seriam 25 metros!
Imagine uma situação em que determinada pessoa, com rinite alérgica, ao final do dia quente de trabalho numa sala com ar condicionado a 18ºC, entra no elevador abafado e já lotado com aquelas pessoas que se banham em perfumes, desce na garagem repleta de gases dos escapamentos dos veículos, entra no carro e segue de volta para casa. De repente é acometido por uma daquelas famosas seqüências de espirros. Aatchim! Aaatchim! Aaaaatchim! Aatchim! Aaaaatchim! Nada menos do que cinco espirros seguidos! Mal se refaz de um, lá vem o outro... AAAtchimm! Bem, se um espirro a 60 km/h representa 17 metros percorridos às cegas, cinco espirros seqüenciais seriam nada menos do que 85 metros!! Isto sem se contar os espaços percorridos em cada intervalo entre espirros, onde o “pobre” motorista está completamente disperso.
Aos gripados ou alérgicos que recorrem a medicamentos, recomenda-se cuidado redobrado ao dirigir, pois tais remédios podem ter efeitos tais como: sonolência, depressão, diminuição do tempo de reação, redução do estado de atenção, e outros contra-indicados aos que executam tarefas como a de dirigir um veículo.
A probabilidade de você passar a ser uma destas pessoas alérgicas ou tê-las ao seu lado dirigindo um veículo, tem aumentado significativamente. Na Espanha, estudos demonstram que nos últimos anos o número de pacientes que recorre aos médicos para tratamento de alergia tem simplesmente DOBRADO! Estima-se que 15% da população já sofre deste mal.
Está gripado ou com alergia? Vai dirigir? Então avalie sinceramente suas condições antes de assumir o comando de um veículo e somente dirija se tiver plena certeza de não oferecer riscos aos que trafegam ao seu lado e a você mesmo.

Saúde!!


Luiz Roberto . C. Cotti
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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quem é o culpado? (Parte 2 - Considerações)

Nesta edição faremos algumas considerações sobre a história contada na edição anterior onde a família Silva envolveu-se num grave acidente quando voltava do litoral.
Você chegou a refletir sobre o ocorrido? Quem é o culpado?
O que realmente interessa é que o acidente aconteceu e que os envolvidos poderiam ter feito alguma coisa para evitá-lo ou minimizar a gravidade das conseqüências!! Por exemplo:
O horário em que tudo aconteceu, pode ter colaborado para que o acidente ocorresse. Ao amanhecer ou anoitecer, a luminosidade natural assume uma condição chamada de “lusco-fusco”, que dificulta a percepção do motorista na avaliação correta das distâncias. Daí talvez a indecisão do motorista da Van, que abortou a manobra de desvio e decidiu frear.
Se o motorista do caminhão estivesse atento, poderia ter percebido e parado corretamente antes da pane total, sinalizando adequadamente o local. Provavelmente algum mostrador no painel já havia sinalizado que o motor apresentava problema.
Talvez a indecisão do motorista da Van que ensaiou desviar e continuar, mas voltou e freou, acabou por deixar indeciso também o Sr. Silva, que demorou 1 segundo a mais para pisar no freio. Este 1 segundo de indecisão pode ter causado o acidente! À 70 km/h um veículo percorre 19,4 metros por segundo, portanto neste 1 segundo de indecisão o veículo do Sr. Silva percorreu 19,4 metros, espaço que poderia ser suficiente para frear sem colidir ou optar por uma manobra evasiva.
Será que o Sr. Silva abusou das cervejas e caipirinhas? Mesmo que não tenha abusado, talvez estivesse mais relaxado e não tão atento como deveria. Se ele estivesse atento e mantendo uma distância segura de seguimento da Van, haveria espaço e tempo para alguma ação no sentido de evitar a colisão. Quem sabe a monotonia da viagem de volta, o silêncio dos filhos que dormiam e o pensamento nas obrigações do dia seguinte, facilitaram a dispersão da atenção do Sr. Silva.
Caso o motorista do veículo que vinha em sentido contrário ao do comboio, estivesse atento a ponto de identificar uma possível situação de risco, percebendo que a Van precisava de espaço para desviar da carroçaria do caminhão, poderia ter reduzido a velocidade ou até mesmo desviado para o acostamento, permitindo a passagem da Van.
Lembre-se: quando identificar uma situação de risco, aja como se o acidente fosse realmente acontecer! Não espere pela ação dos outros! Aja imediatamente!

Luiz Roberto M. C. Cotti
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Quem é o culpado? (Parte 1 - Situação)

Domingo ensolarado, a família Silva resolve aproveitar o belo dia na praia e partem rumo ao litoral. Antes, uma parada no posto de gasolina para abastecimento, calibragem de pneus (inclusive do estepe), verificação dos níveis de água (inclusive do reservatório para limpeza do pára-brisa), óleo e fluído de freio. Luzes e setas em ordem. Documentação OK. Seguiram viagem.
O domingo foi fantástico! O mar convidativo, o céu com poucas nuvens, vários petiscos, sorvetes, refrigerantes, cervejas e caipirinhas! Mas... é hora de retornar.
O Sr.Silva assume a direção do veículo tendo sua esposa no banco ao lado. No banco de trás estão os três filhos do casal que após a costumeira discussão, acomodam-se democraticamente. Os dois mais velhos nas laterais, usufruindo das famosas janelas e o mais novo espremido entre eles, sem sequer poder encostar-se nos irmãos que haviam abusado do sol e estavam ardendo. Não demorou muito até que os três adormecessem.
A noite se aproximava. Há duas horas que o Sr. Silva estava dirigindo, em rodovia com pista única. À frente do Sr.Silva, seguia uma Van que por sua vez seguia um caminhão. O comboio estava a uma velocidade de 70km/h, quando o caminhão apresentou problemas no motor e foi obrigado a entrar no acostamento. Embora o motorista do caminhão tenha sinalizado sua intenção com a seta para direita, não conseguiu estacionar adequadamente e o final da carroçaria ficou ocupando uma parte da pista. O motorista da Van que vinha logo atrás do caminhão, ficou indeciso, tentou desviar e passar, porém ao avistar um outro veículo que vinha em sentido contrário, voltou para a posição original, travou as rodas numa longa freada e conseguiu parar a tempo de evitar uma colisão com a carroçaria do caminhão. O Sr.Silva por sua vez, assustou-se com o zig-zag da Van, freou, travou as rodas, mas não conseguiu evitar a colisão com a traseira da Van e ainda atirou-a para debaixo da carroçaria do caminhão. Resultado:
O motorista da Van, embora estivesse usando o cinto de segurança, sofreu lesões na face, tórax, e braços, devido ao impacto com o pára-brisa que foi atirado para dentro do veículo quando este atingiu a carroçaria do caminhão. Porém, por não estar com o encosto de cabeça posicionado adequadamente, deslocou o pescoço devido ao impacto traseiro ocasionado pelo veículo da família Silva.
O Sr. e Sra. Silva, também usavam o cinto de segurança e por isso sofreram pequenas lesões. Os dois filhos mais velhos, por estarem dormindo no banco de trás e sem os cintos de segurança, foram pegos de surpresa, arremessados contra os encostos dos bancos dianteiros e tiveram alguns ossos quebrados. Por sorte não sofreram lesões na coluna. O filho mais novo, também não estava usando o cinto de segurança e foi arremessado para frente, passou entre os dois encostos dos bancos dianteiros e atingiu violentamente o painel do veículo com a cabeça, sofrendo traumatismo craniano.
Quem é o culpado? Reflita sobre esta situação. Na próxima edição apresentaremos algumas considerações.


Luiz Roberto M. C. Cotti
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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Uma questão de atitude

Bairro: Campo Belo. Horário: 21:00. Local: Rua Demóstenes. Situação: O “motorista 1” que trafegava pela Rua Demóstenes no sentido Aeroporto de Congonhas / Marginal de Pinheiros, distraído, não percebe a placa indicativa de contra-mão e invade o trecho de mão-única. O “motorista 2” que trafegava na Av. Vereador José Diniz, sentido Santo Amaro / Centro, entra à direita na Rua Demóstenes, percebe o “motorista 1” que vinha em sentido contrário e após proferir alguns “elogios”, resolve dar um susto no motorista distraído. Sem aliviar o pé do acelerador, aciona os faróis altos e vai de
encontro ao “motorista 1”que assustado com tal manobra e ofuscado pelos faróis altos, desvia para a direita e acerta o espelho lateral de um veículo estacionado. Perdido e surpreso pelo barulho resultante da colisão, desvia bruscamente para a esquerda, pegando de frente o veículo do “motorista 2” que não esperava uma reação destas por parte do outro. Resultado: Acidente envolvendo três veículos e danos de pequena monta no veículo estacionado. Porém, a colisão entre os veículos 1 e 2, por ter sido frontal, mesmo que a baixa velocidade, resultou em danos materiais significativos. Os motoristas eram os únicos ocupantes dos veículos e por estarem utilizando os cintos de segurança sofreram lesões leves.
O resultado poderia ter sido ainda pior, caso a velocidade fosse maior e o efeito dominó das colisões não fosse interrompido pela parada brusca dos dois veículos que colidiram frontalmente.
Dirigir um veículo é operação complexa que exige do motorista algumas competências essenciais para que seja realizada de forma segura:
1. CONHECIMENTO das leis, da sinalização, das características do veículo, e outros;
2. ATENÇÃO à sinalização, ao comportamento dos demais motoristas e pedestres, etc.;
3. PREVISÃO. O Conhecimento e a Atenção permitem ao motorista prever uma possível situação de risco;
4. HABILIDADE para dirigir corretamente um veículo e enfrentar situações adversas;
5. ATITUDE. Agir defensivamente, colaborar para um ambiente seguro, auxiliar os demais motoristas e pedestres a chegarem ilesos aos seus destinos.
Lembre-se: De que vale você estar certo, fazer valer os seus direitos e acabar se envolvendo em um acidente?!

Luiz Roberto M. C. Cotti
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